Cirurgia de Ouvido (Timpanoplastia e Mastoidectomia)

As cirurgias do ouvido, no caso timpanoplastia e mastoidectomia, são procedimentos indicados a partir do diagnóstico adequado da doença otológica que acomete o paciente. São procedimentos realizados em centro cirúrgico sob anestesia geral com auxílio de microscópico cirúrgico e ou endoscópios.

Timpanoplastia

A timpanoplastia é a cirurgia indicada para tratamento de perfurações da membrana do tímpano. Essas perfurações costumam surgir como sequela de traumas ou de infecções do ouvido médio. No procedimento, costumamos utilizar um enxerto, que podem ser compostos de fáscia, pericôndrio ou cartilagem da própria orelha, para fechar a perfuração. Na dependência da gravidade do processo que originou a lesão timpânica, pode haver dano complementar também aos ossículos da audição (martelo, bigorna e estribo). Nessa eventualidade, além de reconstruir o tímpano, também precisamos tentar recompor da melhor maneira possível essa cadeia ossicular.

A timpanoplastia está indicada nos casos de perfurações timpânicas. Nessa situação, além de alguma perda auditiva, a pessoa fica impedida tomar banhos de piscina ou de praia normalmente, uma vez que a água pode “passar pela perfuração” e causar infecções. Em outros casos, os pacientes podem se queixar de secreção nos ouvidos sempre que ficam resfriados ou gripados.

Planeje-se para a sua recuperação após a cirurgia. Você precisará de tempo para descansar e não poderá fazer tarefas que demandem força ou agilidade. também importante que você não tenha viagens aéreas marcadas para os dois primeiros meses após a cirurgia, já que o tímpano ainda estará em cicatrização e poderia ser afetada pela pressão.

Na grande maioria dos casos os pacientes submetidos à timpanoplastia permanecem de 6-10 horas no hospital, sem necessidade de pernoite. O pós operatório costuma ser indolor. Devido ao tamponamento e curativo do ouvido, o paciente pode ter a sensação de ouvido cheio, ou água no ouvido. Indicamos repouso relativo em casa por cerca de 3 a 5 dias, enquanto o tímpano se cicatriza.

O sucesso com o fechamento da perfuração timpânica e na eventual reconstituição da cadeia ossicular. Isso costuma se refletir numa melhora da audição. Além disso, os pacientes passam a poder molhar o ouvido e frequentar praia ou piscina sem o medo de desenvolverem infecções do ouvido.

O risco mais frequente da timpanoplastia é o de não conseguir o completo fechamento da membrana timpânica. Como esse risco é dependente do tamanho da perfuração e do grau de inflamação crônica do ouvido,não é possível estabelecer um percentual de falhas de maneira geral.

Quando um nervo que ajuda no paladar (corda do tímpano) é afetado dentro do ouvido, você pode sentir um gosto metálico na borda lateral da língua que melhora espontaneamente em 95% dos casos em até 6 meses.

A audição pode não melhorar

Raramente pode haver infecção ou sangramento.

Nos casos de reconstrução da cadeia ossicular, a prótese pode sair do lugar, sendo necessário outra cirurgia para sua recolocação.

Ainda mais raramente (- de 1% dos casos), a audição pode piorar.

Mastoidectomia

É a cirurgia para tratar doenças do osso temporal (osso do ouvido).  Pacientes que apresentam quadro de vazamento crônico do ouvido, com secreção fétida e persistente, são acometidos por uma doença chamada otite média crônica supurada. Muitas vezes, a perda de audição também é um sintoma associado. A otite média crônica supurada pode ser subdividida em otite média supurada colesteatomatosa e não colesteatomatosa.

A otite média supurada não colesteatomatosa engloba os distúrbios da orelha média e da mastóide (osso do ouvido) devido a, principalmente, um bloqueio entre essas duas regiões causadas por edema (inchaço) da mucosa (tecido que recobre a orelha média).

A cirurgia indicada na maioria dos casos é a timpanomastoidectomia. Esta cirurgia é feita por meio de uma incisão (corte) atrás da orelha e sob visão de um microscópio cirúrgico e auxílio de micro brocas. É feita a abertura do osso do ouvido (mastoíde).

Para o fechamento da perfuração do tímpano, analogamente a timpanoplastia, são utilizados enxertos para o seu fechamento.

A otite média supurada colesteatomatosa também pode ser chamada de colesteatoma. O colesteatoma é uma proliferação exagerada de pele do canal do ouvido e do tímpano para dentro da caixa da orelha média. Pode ocorrer retenção e infecção da pele, o que habitualmente provoca odor fétido.

Dependendo do tamanho do colesteatoma e do grau de comprometimento da audição e da mastóide, opta-se por realizar timpanomastoidectomia ou mastoidectomia radical.

A mastoidectomia radical também é realizada com micro brocas, mas é uma cirurgia menos conservadora, utilizada para os casos mais comprometidos pelo colesteatoma. Nessa cirurgia é realizada uma mastoidectomia ampla e um aumento do canal do ouvido, chamada meatoplastia.

Cuidados pós operatórios

Repouso de 7 a 10 dias em casa.

Por aproximadamente 1 mês, não deverá realizar exercícios físicos, principalmente aqueles que requerem força com o abdome, como, por exemplo, carregar peso ou realizar musculação.

Manter a proteção do ouvido contra água, até a liberação pelo cirurgião.